quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Lua Nova Demais

  Ganhei o livro que eu tanto queria. "Parem de Falar Mal da Rotina" da Elisa Lucinda, toda empolgada, me deparei com um texto que me chamou a atenção em especial, junto com um poema, cujo me emocionei.
 O poema trata de um caso que vemos no nosso cotidiano, crianças de rua. Nesse caso, meninas de rua. Algo que me comove muito.
 Você já parou pra pensar como vivem essas crianças ou, em especial essas meninas?
Começa por não saber o que é ter estrutura familiar, casa, segurança, carinho. Submetidas ao terror da rua, dormem de olhos abertos por causa do medo da incerteza. Trocando o futuro por um prato de comida. Pensei muito nisso depois que li o poema. Leia. E reflita.




Lua Nova Demais


Dorme tensa a pequena
sozinha como que suspensa no céu
Vira mulher sem saber
sem brinco, sem pulseira, sem anel
sem espelho, sem conselho, laço de cabelo, bambolê
Sem mãe perto,
sem pai certo
sem cama certa,
sem coberta,
vira mulher com medo,
vira mulher sempre cedo.
Menina de enredo triste,
dedo em riste,
contra o que não sabe
quanto ao que ninguém lhe disse.
A malandragem, a molequice
se misturam aos peitinhos novos
furando a roupa de garoto que lhe dão
dentro da qual mestruará
sempre com a mesma calcinha,
sem absorvente, sem escova de dente,
sem pano quente, sem O B.
Tudo é nojo, medo,
misturação de “cadês.”
E a cólica,
a dor de cabeça,
é sempre a mesma merda,
a mesma dor,
de não ter colo,
parque
pracinha,
penteadeira,
pátria.
Ela lua pequenininha
não tem batom, planeta, caneta,
diário, hemisfério,
Sem entender seu mistério,
ela luta até dormir
mas é menina ainda;
chupa o dedo
E tem medo
de ser estuprada
pêlos bêbados mendigos do Aterro
tem medo de ser machucada, medo.
Depois mestrua e muda de medo
o de ser engravidada, emprenhada,
na noite do mesmo Aterro.
Tem medo do pai desse filho ser preso,
tem medo, medo
Ela que nunca pode ser ela direito,
ela que nem ensaiou o jeito com a boneca
vai ter que ser mãe depressa na calçada
ter filho sem pensar, ter filho por azar
ser mãe e vítima
Ter filho pra doer,
pra bater,
pra abandonar.
Se dorme, dorme nada,
é o corpo que se larga, que se rende
ao cansaço da fome, da miséria,
da mágoa deslavada
dorme de boca fechada,
olhos abertos,
vagina trancada.
Ser ela assim na rua
é estar sempre por ser atropelada
pelo pau sem dono
dos outros meninos-homens sofridos,
do louco varrido,
pela polícia mascarada.
Fosse ela cuidada,
tivesse abrigo onde dormir,
caminho onde ir,
roupa lavada, escola, manicure, máquina de costura, bordado,
pintura, teatro, abraço, casaco de lã
podia borralheira
acordar um dia
cidadã.
Sonha quem cante pra ela:
“Se essa Lua, Se essa Lua fosse minha...”
Sonha em ser amada,
ter Natal, filhos felizes,
marido, vestido,
pagode sábado no quintal.
Sonha e acorda mal
porque menina na rua,
é muito nova
é lua pequena demais
é ser só cratera, só buracos,
sem pele, desprotegida, destratada
pela vida crua
É estar sozinha, cheia de perguntas
sem resposta
sempre exposta, pobre lua
É ser menina-mulher com frio
mas sempre nua.

 Elisa Lucinda.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Aspirante a poeta.

Quando você fica em silêncio
quase leio os seus pensamentos.
E quando olho em seus olhos
Sei bem o que está sentindo.
Será que é por isso que evita me olhar?
Não adianta.
Quando sorri para tentar me enganar
ou para tentar se enganar
Vejo na sua transparência perante a mim
Que não está sendo fácil.

Ah, amor,
Por que és tão cruel?


sábado, 27 de novembro de 2010

Preconceito.

O preconceito. Um assunto que virou modinha. Não tem nada mais cliché que falar de preconceito. Mas creio que será um assunto falado até ele não existir mais. Isso é, nunca.
Eu não vou falar que eu sou bela, pura, casta, uma santa e que nunca cometi preconceito e que não tenho preconceito com nada. Eu estaria sendo hipócrita se eu falasse isso.
Eu tenho preconceito sim. Meu maior preconceito é com GENTE COLORIDA. Não nego. Eu montei na minha cabeça que gente colorida não tem cérebro, por gostar de bandas sem conteúdo e tals, mas eu sei que eles podem sim ser pessoas muito legais. ;D
Eu sofro preconceito.
Eu sofro preconceito pelo tipo de música que gosto.
Eu gosto sim, de MPB, minha cantora favorita, minha diva, é a Ana Carolina e eu sou completamente apaixonada pelo Tim Maia, um dos homens mais fodas que já ouvi falar.
Pelo fato de gostar tanto da Ana Carolina, eu fico tachada como homossexual. E isso é muito cômico. Sério, eu juro, não ligo mais. Só acho estúpido como é possível tachar uma pessoa pelo tipo de música. Pela cantora. Não é por que a Ana Carolina é homossexual que eu também sou. Então, se eu estiver saindo do cemitério, significa que eu morri?
Ah, pelo amor de Deus !
Agora, vamos me deixar pra lá e vamos voltar pro assunto de preconceito.
A semana passada se não me engano, estava rolando a hashtag no Twitter #homofobianao.
Essa tag já é conhecida minha de longa data.Desde que eu ingressei no twitter ( Maio de 2010) estavam tentando colocar ela nos TT's.
Um imbecil, resolveu fazer um twitter chamado "@HomofobiaSIM" , ele falava coisas tão absurdas dos gays que chegava a dar nojo dele. Como se não bastasse, ele falava mal das mulheres também. O que ele falava dos homossexuais era a coisa mais ridícula, escrota e mal informada que eu já vi.
Eu não sou homofóbica e levanto sim, a causa homossexual.
Ah, eu tava vendo também, muitas pessoas falando que são contra o homossexualismo por que tem alguma coisa que induz contra isso na bíblia. Ok. Pra mim, se tem amor, é sim, de Deus.
Eu falei isso no Twitter e deu a maior pôlemica e tal, levei unfollow e tudo, mas, como esse blog é meu, e aqui lê quem quer (e quase ninguém lê mesmo) eu falo. Hehe.
Preconceito com negros.
Não tem coisa mais falada que isso.
Muita gente tem preconceito com negros. Muita mesmo.
Mas, o que as vezes me deixa me indagando, é que tem muito negro que não se acha negro e tem preconceito com negro. E muito negro com preconceito com branco.
Como diz o Felipe Neto no vídeo "Não Faz Sentido - Preconceito" que eu vou postar aqui em baixo no fim do post, a pessoa que tem esse preconceito, não vê que esse negro pode ser somente o homem mais influente do mundo (Barack Obama).
Preconceito pra mim é coisa de babaca. E eu admito que eu sou sim, super babaca criticando quem gosta de modinha, povo colorido e afins.

E abaixo ao preconceito.


Amanhecimento

De tanta noite que dormi contigo
no sono acordado dos amores
de tudo que desembocamos em amanhecimento
a aurora acabou por virar processo.
Mesmo agora
quando nossos poentes se acumulam
quando nossos destinos se torturam
no acaso ocaso das escolhas
as ternas folhas roçam
a dura parede.
nossa sede se esconde
atrás do tronco da árvore
e geme muda de modo a
só nós ouvirmos.
Vai assim seguindo o desfile das tentativas de nãos
o pio de todas as asneiras
todas as besteiras se acumulam em vão ao pé da montanha
para um dia partirem em revoada.
Ainda que nos anoiteça
tem manhã nessa invernada
Violões, canções, invenções de alvorada...
Ninguém repara,
nossa noite está acostumada.

Elisa Lucinda

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O que eu preciso pra ser "legal" ?

Me diga então o que eu preciso pra ser legal.
Preciso ouvir músicas sem letras, com melodias (se é que posso chamar de melodia) feitas em um computador, ou então músicas que tenhuma um forte apelo sexual, que denigre a umagem feminina repletas de gemidos e "afins"?
Pra ser legal então, eu preciso chorar e gritar que amo meu ídolo, usar calças de cores berrantes, cortar meu cabelo de forma que tampe meu rosto, andar em grupos, ou devo sair por aí com uma saia de meio palmo, rebolando e fazendo graça para os meninos?
Ah, então é isso que eu preciso fazer pra ser legal, "feliz" e cool.
Ah, como amo ser careta. Minha caretice foi é uma das minhas melhores qualidades.
Meu nível de alegria vai muito além de uma banda ou do que pensam de mim.
Ok, meu querido, portanto ser legal é isso então mudaram o nome da palavra "imbecil".
Obrigado Deus, eu sou careta. ;D

Infâmia.


Eu juro, nunca fumei Carlton. -->

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Poesia minha. Momento em que me encontro com o meu eu.

As vezes me pego sonhando
com romances televisivos
amores encantadores.
Palavras que toda mulher adoraria ouvir
palavras que toda mulher sonha dizer.
E minhas adoradas meias palavras.
Beijos, sorrisos, olhares...

Aí, o filme acaba, os sonhos continuam.
e a vida continua a mesma.
Eu sonhando,
esperando chegar a minha vez.


Maria Eugenia