terça-feira, 16 de novembro de 2010

A Esse Papo Indo-lente





Quando me perguntam depois de "Ó que lindos olhos"...
Esses olhos são seus?"

Me sinto como se perguntassem

se o sol é rei mesmo
ou uma espécie de lâmpada de mil

Me sinto constrangida como se tivesse

sido possível a alguém alguma vez
confundir
lata de goiabada com fruta de pé.

me sinto velha virada há milênios

Aniversariada por várias civilizações e nada esqueci.

Me sinto madura madeira
escaldada
pra lá destas idades do agora.
Sou dos longínquos tempos de goiabeiras

mangueiras, formigas cabeçudas
tanajuras de umidade, baratas cascudas
e canaviais nos quintais

Sou ainda mais

na magia do que havia nesses anais,

sou do tempo em que era bom

nascer com olhos de esmeralda

e a artista a ser cumprimentada

era a mãe-natureza
pela proeza de olhos ser olhos

e lente ser lente.

Sou do tempo em que eu era

toda realeza

e com certeza não se compravam olhos

em shoppings, meus Deus.

Sou do tempo em que meus olhos

Só podiam ser meus.


Elisa Lucinda

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