domingo, 25 de março de 2012

Marina.

 Com o cigarro aceso entre os dedos ela queima junto as memorias de um passado que não passou.
 Ninguém habita a noite e resta apenas Marina, sentada na calçada, refletindo os sonhos que deixou de sonhar.
 Cantarola baixinho na madrugada "Marina, morena, Marina você se pintou..."
 Traga o cigarro e se forma uma nuvem de lembranças diante de seus olhos.
 Se vê menina, brinca nas águas do mar carioca. Sempre fez jus ao nome.
 Lembra da adolescência rebelde. 
 Do primeiro namorado. 
 Do primeiro cigarro.
 Marina chora ao observar o que foi feito com sua vida.
 Com os olhos embocados de lágrimas, a morena, no auge dos seus 25 anos se recosta no poste da  rua fria do Rio de Janeiro.
 São duas horas da manhã e ela enxuga com rapidez as lágrimas, evitando que borre sua maquiagem que, em ilusão, acredita que esconda os hematomas que habitam sua alma.
 Levanta da calçada e as memórias se desfazem, assim como o cigarro que virou cinza em seus lábios.
 Ajeita o cabelo e sorri de forma marota, a espera do próximo cliente, cujo o qual ela deseja que seja o ultimo da noite, que não tarda a chegar, a procura de diversão naquela sexta feira.
 Entra no carro dele e um ultimo pensamento acomete Marina: e eu só queria poder me orgulhar de mim.

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