Eu corria por um campo limpo, e por mim corria o vento.
Dançava, brincava de roda, assim como fazia na breve infância que tive.
De vestido florido, tinha os olhos pintados de azul, sorria exteriorizando a criança de sempre.
Logo avistava minha avó, trazendo no rosto aquela calmaria de sempre. Corria até ela, beijava sua mão e a pedia que me abençoasse.
Por um breve momento, pensava "se essa rua fosse minha, a ladrilharia com os brilhantes dos anéis das mulheres de coração tão duro quanto a pedra que enfeita suas mãos, que por uma ostentação rouba a infância de uma criança qualquer".
Voltava a correr e brincar, sentia cheiro de rosas, cheiro da inocência das crianças pequenas que brincavam comigo, encantavas com o verde do campo aberto.
Fui despertada da minha linda utopia por uma lagrima salgada, que teimou em rolar meu rosto e parar nos meus lábios.
Abri os olhos e vi a rua da minha casa, estava frio, e eu vestia as mesmas roupas cinzas e pretas de sempre.
Mesmo escuro, olhei pro céu e pude ver que logo mais clarearia.
Procurei no bolso da calça jeans o meu celular e olhei as horas.
Eram cinco e cinquenta e cinco da manhã.
Vou parar de sonhar, não tenho mais tempo pra isso, meu ônibus está subindo a rua e às sete horas tenho aula de matemática.

Oh, que belo, bela.
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