sexta-feira, 4 de maio de 2012

Liberdade inventada

 Eu corria por um campo limpo, e por mim corria o vento.
 Dançava, brincava de roda, assim como fazia na breve infância que tive.
 De vestido florido, tinha os olhos pintados de azul, sorria exteriorizando a criança de sempre.
 Logo avistava minha avó, trazendo no rosto aquela calmaria de sempre. Corria até ela, beijava sua mão e a pedia que me abençoasse.
 Por um breve momento, pensava "se essa rua fosse minha, a ladrilharia com os brilhantes dos anéis das mulheres de coração tão duro quanto a pedra que enfeita suas mãos, que por uma ostentação rouba a infância de uma criança qualquer".
 Voltava a correr e brincar, sentia cheiro de rosas, cheiro da inocência das crianças pequenas que brincavam comigo, encantavas com o verde do campo aberto.
 Fui despertada da minha linda utopia por uma lagrima salgada, que teimou em rolar meu rosto e parar nos meus lábios.
 Abri os olhos e vi a rua da minha casa, estava frio, e eu vestia as mesmas roupas cinzas e pretas de sempre.
 Mesmo escuro, olhei pro céu e pude ver que logo mais clarearia. 
 Procurei no bolso da calça jeans o meu celular e olhei as horas.
 Eram cinco e cinquenta e cinco da manhã.
 Vou parar de sonhar, não tenho mais tempo pra isso, meu ônibus está subindo a rua e às sete horas tenho aula de matemática.

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