domingo, 22 de julho de 2012

Boas novas.

 Porto Alegre, 20 de julho de 2012


 Meu amor, 
 Te escrevo nesse julho invernal enquanto padeço de frio e vejo a chuva cair.
 Aqui, nessa escura cidade, sinto falta do seu sorriso solar.
 Sinto falta de quando corria pra me abraçar.
 Da sua alegria infantil, quase inocente.
 Ah, que saudade do sol de fevereiro, similar a claridade de seus olhos.
 Saudade das noites que ganhei afagando teus cabelos, me afogando em sua boca.

 Trago boas novas, em meados de agosto recomeçarei meu sonho junto a você.
 Espero que ainda me espere, assim como prometeu que faria.
 Me espere com um beijo de boas vindas, boca fria, língua quente.
 Aqui no sul nada me aquece, nem as breves manhãs ensolaradas de um verão quase cinza.
 Quero voltar pra São Paulo que nasci, cidade que de santo não tem nada, assim como essa triste Porto Alegre.
 Ah, maldita ironia!
 Pois bem, meu bem, te asseguro, meu amor por ti permanece intacto, guardado dentro de um livro, assim como a rosa, hoje seca, que você me deu antes que eu partisse.
 Meu amor, o amor nunca seca, basta uma lágrima que se acabe em um sorriso pra começar tudo de novo.

domingo, 8 de julho de 2012

Futuro amor.

Ei amor, mais uma vez venho escancarar essa vontade de amar que tenho para você.
 Sei que nem tens uma face, sei que em ti nem bate um coração, sei que não tens o perfume que eu aprenderia a gostar e passaria a ser meu preferido.
 Será que alguém é capaz de entender meu anseio de amar?
 Preciso tanto te dar uma face, te fazer real, dar perfume aos teus cabelos, brilho aos teus olhos, textura a tua boca.
 Necessito apenas de um abraço que me faça sentir o compasso do seu coração (coração esse que passarás a ter), quero o sentir bater junto ao meu, sentir sua respiração junto a minha.
 Peço apenas que exista e me tire desse vácuo em que me afundo pela presença constante de tua ausência.
 Cause-me a calma, a tua falta me causa o caos.
 Diga-me seu nome, não precisaremos mais do que isso para o começarmos.
 Me ame!
 Não precisaremos mais do que isso para que sigamos juntas até o fim, até a loucura. 
 Até o riso descontrolado. 
 Até o autocontrole. 
 Até o recomeço.
 Até um novo amor.

sábado, 23 de junho de 2012

Leva nos Olhos.

 E aquele amor, tão evidente nos olhos dos dois me fez, mais uma vez, refletir aquele momento.
 Me parecia ser um amor doce, contido, sem pressa, sem medo.
 E era.
 As mãos se uniam e naquele momento de dor, pude ver aquilo que Pedro sempre me disse.
 Eu e Pedro trabalhamos juntos, em uma agência publicitária, em que ele é diretor.
 Mais que meu chefe, ele é meu melhor amigo.
 Naquele doze de setembro morreu pai de Maurício, o amor de meu amigo.
 Maurício tinha o pai como seu melhor amigo, afinal ele lhe dedicara amor e compreensão durante toda a sua vida, tentando suprir (em vão) a falta da mãe.
 Naquele momento em que via Maurício sendo abraçado e amparado por Pedro, pude notar o que realmente é o amor. E pude notar que nunca amei.
 Eu, com 28 anos, me envolvi em vários relacionamentos, porém todos vazios do amor que habitava os olhos dos meus amigos, mesmo imersos em lágrimas e tristeza, sempre amor.
 Creio que quando o amor chega, ele toma conta, todo e qualquer sentimento se transforma, é sempre amor, sai pelos poros, cabelos, sorrisos...
 E invariavelmente sai pelos olhos.
 Tenho certeza que quando olhar pra alguém com o mesmo sentimento que meu amigo olha para o seu parceiro de vida, de jornada, de existência, poderei concluir que enfim aprendi a amar.

domingo, 10 de junho de 2012

Pólvora.

 Mais uma vez me recordo docemente de você.
 Uma frase. Só uma frase. Foi o necessário para me embargar a voz. Creio que vou lembrar pra sempre do nosso amor. O amor que nunca existiu pra você.
 Nos embalos de Chico Buarque li o seguinte   ‘’ Quando amamos, o mundo pode estar contra nós, que inventamos um jeito de ficar juntos.’’
 Lembra, meu ex eterno amor, o tanto que arrumei pretexto pra te amar? A cada abraço que me dava eu o transformava em ignição pra te amar cada dia mais.
 Cada dia melhor.
 Pra mim todo dia era poesia, todo dia era música, todo dia era você.
 Lembra de tudo o que te prometi?
 Esqueça. Prometo cumprir apenas uma.  Nunca te deixarei sozinha.
  E nunca se esqueça, em mim, a casa é sempre sua.

domingo, 27 de maio de 2012

Amor preciso.

 E o maior fato da vida é que todo mundo quer ser amado.
 Na verdade, creio que amor transcende o querer. 
 Ser amado é mesmo uma necessidade. 
 Até onde posso ir por um pouco de afeto? Acho que não tenho limites.
 Hoje acordei com aquela vontade de chorar enroscada na garganta.
 Acordei com falta de beijo.
 Passei a noite pensando se vale a pena fingir que somos amados ou se compensa mais a solidão do que uma mentira.
 Todo mundo quer ser amado, não tem discussão.
 E saibam, todas aquelas vezes que disse que não precisava de amor, que eu viveria sem carinho, foi a maior mentira que já professei.
 Dizia isso pra brincar de aço, pra fingir que tenho coração de lata, pra tentar aprender a não sentir. 
 E parei no mesmo lugar.
 Com o mesmo vazio no peito, que chega a fazer eco.
 Dizia isso por que ninguém nunca ouviu meus soluços compulsivos no meio da madrugada.
 Meus soluços de solidão.
 Todo mundo necessita ser amado. E não é de amor de mãe que eu falo não, amor fraternal até me sobra.
 Ou melhor, amor nunca sobra.
 Falo desse amor de fantasia, amor de carne, osso, sentimento.
 Necessito de um amor que seja um sopro de vida, um amor de aliança, de música.
 Necessito de um amor que me molhe feito a chuva, um amor de lágrimas, de poesia.
 Um amor que mude minha alma de casa.
 Um amor, na sua simples complexidade.
 Não fingirei mais que tenho coração de lata, tenho medo, vai que as lágrimas o molhe e ele enferruje? 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Liberdade inventada

 Eu corria por um campo limpo, e por mim corria o vento.
 Dançava, brincava de roda, assim como fazia na breve infância que tive.
 De vestido florido, tinha os olhos pintados de azul, sorria exteriorizando a criança de sempre.
 Logo avistava minha avó, trazendo no rosto aquela calmaria de sempre. Corria até ela, beijava sua mão e a pedia que me abençoasse.
 Por um breve momento, pensava "se essa rua fosse minha, a ladrilharia com os brilhantes dos anéis das mulheres de coração tão duro quanto a pedra que enfeita suas mãos, que por uma ostentação rouba a infância de uma criança qualquer".
 Voltava a correr e brincar, sentia cheiro de rosas, cheiro da inocência das crianças pequenas que brincavam comigo, encantavas com o verde do campo aberto.
 Fui despertada da minha linda utopia por uma lagrima salgada, que teimou em rolar meu rosto e parar nos meus lábios.
 Abri os olhos e vi a rua da minha casa, estava frio, e eu vestia as mesmas roupas cinzas e pretas de sempre.
 Mesmo escuro, olhei pro céu e pude ver que logo mais clarearia. 
 Procurei no bolso da calça jeans o meu celular e olhei as horas.
 Eram cinco e cinquenta e cinco da manhã.
 Vou parar de sonhar, não tenho mais tempo pra isso, meu ônibus está subindo a rua e às sete horas tenho aula de matemática.

domingo, 22 de abril de 2012

Desamor.

 Eu a amava de forma que não sabia explicar.
 Não podia compreender aquele sentimento que me tomava a alma e roubava os sentidos.
 Nunca havia me sentido assim, ela parecia querer consertar meu coração, restituindo cada pedaço, o fazendo novo.
 Mais depois o dilacerou.
 Meu coração intacto foi dilacerado, como se dado a uma fera, destruído tudo que havia sido refeito.
 Ela me tomou só pra ela.
 Me tomou e me esqueceu.
 Enquanto eu entrava em coma na embriaguez que seu perfume me causava sinto que ela apenas fingia me corresponder.
 Mas quando minha mente estava quase certa de que aquele amor não era pra mim ela vinha e me abraçava, levando consigo todo o meu poder de raciocinar, toda a minha vontade de não querê-la.
 E assim foi, durante muito tempo, até que caí em mim, e a desamei.
 Uma das coisas mais difíceis que fiz foi admitir que o meu amor acabou.
 Aquele amor que me tirava o sono e me dava inspiração teve fim e dessa forma se evidenciou um fato, tornando-se claro como água na minha mente.
 Muito mais difícil que dizer "eu te amo" é dizer "eu te amei".
 Cheira a tragédia, nem todo final é feliz, mas esse final, logo esse, o fim do amor que eu tanto sonhei, incrivelmente me fez bem.