domingo, 18 de agosto de 2013

Amor por insistência.

 Sólidas.
 Construímos sobre rocha nosso amor.
 Mais uma vez hoje é sábado e volto a escrever sobre você depois de meses. Hoje já não tenho mais medo que alguém leia. Hoje não dói mais.
 Debaixo do sol da nossa cidade, enfrentamos juntas tantas frentes frias, mas meu amor te aqueceu.
 Entramos de mãos dadas no mar de ressaca, aprendemos a navegar contra a corrente, fomos barco e remo. 
 E remamos. 
 Colecionei tuas lágrimas, você guardou as vezes que te dei a mão.
 Depois de um tempo, amarmos exigiu muito mais que o amor construído diariamente, exigiu que ele fosse de verdade. 
 E ele foi.
 Não basta só beber saudade, sem cuidado o amor seca. 
 Você me regou.
 Nesses anos todos, nesses caminhos que enveredamos e que nos obriga a caminhar para lados opostos, mais que verdade foi preciso vontade.
 E tivemos.
 Depois das chuvas que tanto nos molhou e nos fez tremer de frio, depois do escuro e do medo, construímos nossa casa na segurança das montanhas que escalamos lado a lado.
 Foi enquanto doía que entendi o que era amar. 
 E como doeu!
 As mesmas pedras que atravancaram nossa passagem solidificaram nosso amor.
 Nossa liberdade só veio depois da luta para rompermos as correntes e foi o amor que nos libertou.
 Depois de enfrentadas a ressaca do mar, as chuvas e as ventanias, a brisa da maresia me lembra docemente de você.
 Hoje vejo que nosso "pra sempre" já deixou de ser uma esperança, se tornou realidade.
 E, mais uma vez, te amar eu ousaria.

"Você pode me encontrar no avesso de uma dor."

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Equilibra.

 Tento encontrar soluções para resolver nossos problemas.
 Seus problemas não são seus, são nossos.
 Temo que pereça e então tento cuidar de você como sempre quis que cuidassem de mim.
 Te sufoco com esse meu amor sem jeito, mas você sempre ri. Ou sempre ria.
 Hoje chove.
 Você acordou perdido, eu acordei estável. Funcionamos no yin-yang e sempre nos equilibramos, porque não sei se você sabe, mas parte dessa minha loucura é você. O resto é um amontoado interior e exterior que sou eu.
 Me atento a te entender, mas será que é entendimento que você precisa?
 Desculpa minha falta de senso, as vezes cutuco suas feridas como se as minhas nunca tivessem sido cutucadas e eu não soubesse como dói.
 Vou te deixar cicatrizar, prometo, mas sempre que quiser mostrar suas cicatrizes de passado, presente e futuro eu estarei aqui para acolhê-las como se minhas fossem, como sempre fiz.
 Por favor, te peço, cuide de si como forma de também cuidar de mim, eu te quero tão bem!
 Vou sentar ao seu lado no abismo e ali ficaremos em silêncio, porque temos nosso próprio tempo e ainda é cedo.

"Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo"

sábado, 29 de dezembro de 2012

Conta gotas.

 Procuro, quase como uma tentativa instintiva, viver de novo.
 Tento encontrar aquilo que me falta. 
 Respira.
 Inspira.
 De novo.
 Ando pela casa como se fosse encontrar perdido nos cantos aquilo que me fará retornar a vida.
 Realmente encontro nos cantos, não os da minha casa, mas nos cantos refugiados de mim, aquele lugar que não limpo a algum tempo e sobrou ''raspas e restos'' do que fui, do que sonhei ser e do que sou agora.
 Encontro-me em cantos, no canto dos falsos poetas cantores que emprestam a alma para sentir algo que nem sempre sentem.
 Mas eu sinto.
 Sento nos longínquos ''corredores da minha alma'' tentando entender aonde parei de ser o que era e passei a ser o que sou.
 O que sou me agrada?
 Talvez.

 O que me falta?
 Talvez seja só o abraço do melhor amigo.
 Só a risada da amiga irmã.
 Só o afago da mulher amada.

 O que me falta?
 Um combo especial, com abraço sem pressa, carinhos avulsos e risadas a toa. 
 Amor de verdade!
 O que me falta é aquilo que sempre tive em épocas separadas, de pessoas diferentes, em doses homeopáticas. 
 Homeopatia nunca funcionou comigo.
 Para suprir toda essa minha falta preciso mesmo é de um amor de overdose.

domingo, 2 de dezembro de 2012

A Ampulheta

 A ampulheta virou pra mim, mais uma vez, depois de ter forçado uma volta que não sei mais se aconteceu.
 Planejei pra você e você planeja por ela. Anseia por ela. Ansiei por você.
 Tentei conter aquelas tuas lágrimas enquanto jogava as minhas no rio para as águas levarem.
 As águas levaram.
 Não chore mais, meu bem, nenhuma moça merece turvar teus belos olhos.
 Nenhuma moça merece apertar teu límpido coração.
 Moça que te faz chorar não merece provar tua doçura.

 A ampulheta virou.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A morte e vida de um amor.


Te mato inúmeras vezes ao dia dentro de mim.
 É como se eu tivesse um imenso prazer de te ver renascer enquanto morro por dentro.
 Você, sempre doce, me afaga com um carinho reservado as pessoas que se ama.
 Eu, sempre real, esqueço o impossível com você.
 ''Será que ela pensa em mim?''
 Eu penso em nós, o tempo todo;
 Escondo tanta coisa, tanta vontade de dizer que te amo e que nesse momento meu amor é seu.
 "O que fazer quando a gente morre por dentro?"
 É nessas horas que te mato. 
 Te matar é uma forma de sobreviver.
 Minutos depois reaparece na minha frente como se eu fosse a pessoa que mais te agrada ver, me abraça como se meus braços fossem os seus preferidos.
 "Até onde posso ir pra conquistar você?"
 Sou rondada pelo medo e pelo medo de deixar de ter medo.
 Sofro de medo de te perder, meu amor que nunca tive.
 Te olho de longe, te quero de perto.
 E é assim que todas as manhãs eu padeço e pereço de amor desajeitado.


 "E nesse desespero em que eu me vejo 
  Já cheguei a tal ponto
  De me trocar diversas vezes por você
  Só pra ver se te encontro."

sábado, 3 de novembro de 2012

Branca no escuro.


Quarta-feira, 24 de outubro de 2012, 6h05min

 Acordei atrasada.
 Meia hora atrasada.
 Ao invés de correr, decidi fazer tudo pacientemente, como se nada tivesse acontecido.
 Esses dias ando agindo como se nada tivesse acontecido. Mas acontece. Toda hora.
 Saí de casa (incrivelmente no mesmo horário que saio sempre) e encontrei o chão molhado. Lembrei que, assim como o que diziam as previsões do dia anterior da minha mãe,  que é quase um Climatempo e falha tanto quanto o tal, choveria.
 Choveu.
 Saí do meu quarto na noite passada saturada de lágrimas não choradas e fui até a janela da sala ver chover. Respirei fundo o cheiro de chuva e fui dormir com uma enchente dentro de mim.
 Por que estou contando isso?
 Não sei.
 Sei que agora, a uns 15 minutos atrás, vi as nuvens passando, brancas, no céu ainda escuro. Rápidas, limpas, tipicas nuvens que sucedem  uma noite chuvosa.
 Sei que na hora que vi, pensei em você. Será que já acordou?
 Me incomoda o rumo que meus pensamentos tomam.
 É como se fosse uma série de flashes seus, fora do controle. Do meu autocontrole, na verdade.
 Por que estou contando isso?
 Não sei, só estou contando.

domingo, 21 de outubro de 2012

Refloreste-me.

Experimento a doce e agoniante sensação de um novo amor.
 Me confundo entre sentimentos novos e antigos, por uma nova pessoa antiga possuidora dos meus mais novos sentimentos.
 Dessa vez foi límpido, senti o amor chegar de forma tão clara como a partida do meu ex amor. Como diz Carpinejar, ''o amor morre por falta de cuidado''. Talvez tenha deixado as ervas daninhas sufocá-lo para poder agora fazer a jardinagem do meu coração.
 Agora planto flores, pequenas e azuis, combinando com a cor dos seus olhos. Torço para brotarem, tenho esperança de ser amada dessa vez. Por que não?
 Fotografo seu sorriso e afago seus cabelos, enquanto a prendo em meus braços, assim como se rega uma planta e observa querendo vê-la crescer.
 Ah, amor, quero te ver crescer e tomar cada canto do meu coração, reconstruir tudo que senti e fazê-lo novo.
 E tomá-lo para si.
 E fazê-lo teu.

''Estranho seria se eu não me apaixonasse por você.''

domingo, 30 de setembro de 2012

Não é o fim.

 Cheguei em casa, noite quente. Minha cabeça doía como de costume. No calor minha cabeça dói. Talvez tenha excedido no vinho.
 Tomei banho, lavei os cabelos, deito descoberta e penso em o quanto estou trabalhando demais e vivendo de menos. Não vi Mariana essa semana e já é quinta feira. Amanhã entregarei a ela nossas alianças, espero que ela se mude pra cá em breve.
 Dormi e não acordei. 
 Me vejo agora fora do corpo, externa.
 Engraçado morrer desse jeito, não era assim que eu esperava.
 Mas, então morri, é isso, assim, do nada?
 A morte precisa de aviso prévio!
 E as contas que deixei pra pagar amanhã? As alianças, minha e da Mariana, que ficou na gaveta?
 Pois é, eu que sempre brinquei de procrastinar a vida inteira agora me coloco a reclamar.
 Não tive tempo de reler Capitães de Areia, não ouvi Lenine, não dancei I'm Survive, não voltei a Nova Iorque. 
 Espero que encontre as alianças, meu amor. guarde-as com você.
 E minha mãe, que me ligou ontem e acabei a tratando mal, estava trabalhando. Não te abracei pela ultima vez...
 Queria, na verdade, um diagnóstico lento, ter tempo pra beijar minha mãe, abraçar meu pai e pedir desculpas a ele, afinal, não fui a filha médica e sim a rebelde desenhista.
 É, a morte não me mandou lembranças, me beijou rápido com sua boca fria, ríspida.
 O que me consola foi ver que a vida não acaba, ainda olho por quem amei, longe e tão perto, porém, sinto não poder mais tocá-los.
 Ainda sinto o gosto do vinho, mas minha cabeça já não dói mais.
 Agora, me resta apenas acostumar viver longe dos meus lápis, da minha louça sem lavar, sem acordar minha mulher pela manhã, sem falar com a minha mãe a noite.
 Me resta aprender a viver fora do corpo, dentro da alma.

domingo, 2 de setembro de 2012

Volver.

Nunca acreditei na eternidade do ''só se ama uma vez''.
 Pelo contrário.
 Acredito na capacidade de se amar sempre, mesmo que para isso seja necessária uma vida inteira pra se refazer prum novo amor.
 Acredito e defendo com unhas e dentes (talvez seja por puro medo de não ser capaz de amar de novo) que é sim possível viver um amor, depois de um amor, assim como uma criança volta a brincar depois de ter se machucado.
 Me encanta essa possibilidade de poder, sim, amar de novo.
 Amar mais e outra vez.
 Dizer que só se ama uma vez é coisa de gente com o peito ferido, magoado por não ter deixado de amar.
 No momento trago comigo um coração despedaçado, com mágoas latentes e um pequeno reservatório de lágrimas, mas não desisto em momento algum de amar de novo.  De sofrer de novo, me magoar de novo, me refazer e morrer por amor, quantas vezes for preciso.
 Enfrentarei o amor de cara limpa e coração aberto, mostrarei que assim como ele também tenho voz e sei gritar, porém não sei quanto tempo isso vai levar.
 Por enquanto eu sou só sangue, presa nessa dor lancinante que mais parece que fui mais uma vez abraçada por você, choquei meu corpo contra seus seios de lâminas afiadas e agora estou aqui, em carne viva.
 Mas sei que posso.
 E assim vai ser.
 Vou me reconstruir, me recolocar forte e inteira.
 E amarei.
 Tão destemida como no nosso começo, com toda a doçura doada a você, todo o amor que há em mim guardado.
 Esse amor que houve (e que há!) aqui sempre será seu.
 Ah, meu amor. Meu amor é seu, porém te peço alforria de suas mãos e te garanto sempre morada no meu abraço, mas agora quero voltar andar embebida de estrelas, assim como andei um dia por você.
 Você me permite tentar? 


 ''Um mar. O Mar. Do Mar. Ao mar. Eu.'' - Myriam Campello

domingo, 19 de agosto de 2012

Adivinhando.

O que está fazendo? 

Eu deixo de viver para me concentrar melhor naquilo que está fazendo. Não pretendo me distrair de pensar o que está fazendo sem mim. Minha ocupação é imaginar se está lendo neste dia de chuva, com as pernas para cima no sofá. 

Qual será o livro? Estará gostando, com receio de que termine, ou detestando, já questionando se vale a pena continuá-lo. Se bem que em dia de chuva nenhum livro termina, todos os livros começam. 

Qual é a cor de sua solidão? Creme, igual às paredes de sua infância? Você come verdura por obrigação? Ou se acostumou a esquecer o gosto pelo tempero? 

Não atendo o telefone, não vou me dispersar em adivinhar o que está fazendo. Qual roupa que escolheu ou apenas recolheu uma coberta sobre os ombros, como uma afogada ainda traumatizada pelos últimos pensamentos? Será que você está ansiosa ou cansada? Invejo a lenta aproximação da claridade em seu pescoço, fazendo seu perfume subir à superfície com mais fragor. 

Já foi ao banheiro? Você me ensinou a arte de aguardá-la na porta de um banheiro. Eu aprendi a esperá-la. O homem aguardando sua mulher no corredor é sempre um tarado. Ao fingir que não é tarado, termina sendo mais suspeito. 

Na verdade, sou tarado por sinais. Um gato no muro, um carro com alto-falante vendendo frutas, pássaros ofendendo os vizinhos são carteiros de seus pressentimentos. 

Tanto que estou procurando definir se está pensando em mim com a mesma freqüência que vai à cozinha para deixar uma xícara suja. 

Seu pé está gelado, você observa o par de meias e vê que uma unha está arranhando o tecido. Pega uma lixa, irritada que é domingo e o salão está fechado. Uma unha fora do lugar estraga a harmonia. Desiste, e tenta procurar o par de brincos verdes. Brincos ajudam a escutar melhor. É uma aldrava de janela. Você acha graça do que disse, repete: "brinco é uma aldrava de janela". Olha ao lado, não estou. 

Quantas frases eu guardei para um texto só porque você riu? Eu achei que eram importantes porque você riu. Você ri e eu acho importante, eu me acho importante porque me assiste. 

Nesse momento, eu adivinhando o que está fazendo coincide com você imaginando o que estou fazendo. É quase como estar junto. 

Nossas ausências são tão improváveis que se negam ao mesmo tempo. Seu sofrimento é educado, não vulgariza a dor a ponto de expulsá-la. A dor é mais um cachorro pela casa. 

Você mexe no computador, lê alguns e-mails antigos que mandei, caça algo que não revelei, você me corrige, me legenda e não chega a nenhuma conclusão. Eu sou seu silêncio submisso. Um silêncio que não a desespera quando estou longe. Em sua companhia, meu silêncio a atormenta. Eu tenho que estar falando e me explicando para que não me perca. Se não falo, eu a vejo me procurando enervada. "Onde está com a cabeça" "Onde está com a cabeça?" Você ama minha falta de palavras, mas não consegue sustentá-la. 

Confia que meu silêncio a trai. Mas meu silêncio é quando sou mais fiel. Quando não brigo. 

O que anda fazendo que não sei? Será que está alegre e despreocupada, nem aí para qualquer distância? Duvido, sua boca é muito vaidosa para não me mastigar. 

Você me assusta com sua ternura contida. Ela pode explodir com uma canção de sua adolescência, uma conversa com a mãe, uma conta atrasada. Pode explodir sem motivo. 

Você me assusta porque encontra o escândalo unicamente no amor. Fora dele, é discreta e reservada. Fora dele, não a conheço. 

Vive me ameaçando, pressionando, provocando a nadar somente com os pés. Sua alegria é um surto. Sem licença e vergonha. 

Pede para que espalhe a porra pelo seu corpo. Pelos seios. Pela cintura. 

Você me engole com raiva. 

Eu sou seu, só seu. Mesmo quando não estou ao seu lado. 


Fabrício Carpinejar

domingo, 12 de agosto de 2012

Voei.

 Olhava aquela folha em branco, tentava cuspir alguma palavra, mas nada saía. Era claro que ali estavam escondidas poesias arrancadas, se via pelas marcas fundas no papel.
 Trazia os olhos rasos de lágrimas, cheio de mágoas, com a boca tremula e comprimida, reprimindo um choro que ansiava sair, queria transbordar, era uma represa com as comportas fechadas.
 Misturava as lembranças do doce início do amor com as lembranças da partida inexplicável.
 Seus pensamentos flertavam com a loucura, nada mais condizia, a desesperava observar seus vinte e poucos anos e concluir que tinha mais futuro que passado. Não poderia aguentar isso.
  Tentava, em vão, estabelecer o momento em que o amor acabou, em que a música não tocava mais, em que o ponto final foi colocado.
 Talvez o ponto final não tenha sido colocado.
 Seu corpo queimava ao lembrar da ultima noite juntos na praia, no calor desumano amenizado pela brisa do mar e do sabor adocicado do vinho barato.
 Respirou fundo o ar preso daquele quarto como uma tentativa de subir a superfície, se livrar das lembranças, porém a noite parecia ainda mais quente e sua tentativa foi inutilizada.
 Saiu daquele jeito mesmo em direção a rua, cabelos desgrenhados, olhos molhados. Correu algumas ruas sem destino algum e, por instinto, parou em um viaduto qualquer,  gritou sobre ele entre as últimas lágrimas o grito que prendeu durante os últimos meses, desde a morte dele.
 Deixou o grito ecoar pela avenida, sorveu as ultimas lágrimas que percorreram o caminho já conhecido em seu rosto e pulou, lenta numa eternidade.
 Voou doce como um anjo. 
 Para matar aquele amor. 
 Para matar tudo que havia dentro dela. 
 Pulou pra nunca mais voltar. 
 Voou para o recomeço.

domingo, 22 de julho de 2012

Boas novas.

 Porto Alegre, 20 de julho de 2012


 Meu amor, 
 Te escrevo nesse julho invernal enquanto padeço de frio e vejo a chuva cair.
 Aqui, nessa escura cidade, sinto falta do seu sorriso solar.
 Sinto falta de quando corria pra me abraçar.
 Da sua alegria infantil, quase inocente.
 Ah, que saudade do sol de fevereiro, similar a claridade de seus olhos.
 Saudade das noites que ganhei afagando teus cabelos, me afogando em sua boca.

 Trago boas novas, em meados de agosto recomeçarei meu sonho junto a você.
 Espero que ainda me espere, assim como prometeu que faria.
 Me espere com um beijo de boas vindas, boca fria, língua quente.
 Aqui no sul nada me aquece, nem as breves manhãs ensolaradas de um verão quase cinza.
 Quero voltar pra São Paulo que nasci, cidade que de santo não tem nada, assim como essa triste Porto Alegre.
 Ah, maldita ironia!
 Pois bem, meu bem, te asseguro, meu amor por ti permanece intacto, guardado dentro de um livro, assim como a rosa, hoje seca, que você me deu antes que eu partisse.
 Meu amor, o amor nunca seca, basta uma lágrima que se acabe em um sorriso pra começar tudo de novo.

domingo, 8 de julho de 2012

Futuro amor.

Ei amor, mais uma vez venho escancarar essa vontade de amar que tenho para você.
 Sei que nem tens uma face, sei que em ti nem bate um coração, sei que não tens o perfume que eu aprenderia a gostar e passaria a ser meu preferido.
 Será que alguém é capaz de entender meu anseio de amar?
 Preciso tanto te dar uma face, te fazer real, dar perfume aos teus cabelos, brilho aos teus olhos, textura a tua boca.
 Necessito apenas de um abraço que me faça sentir o compasso do seu coração (coração esse que passarás a ter), quero o sentir bater junto ao meu, sentir sua respiração junto a minha.
 Peço apenas que exista e me tire desse vácuo em que me afundo pela presença constante de tua ausência.
 Cause-me a calma, a tua falta me causa o caos.
 Diga-me seu nome, não precisaremos mais do que isso para o começarmos.
 Me ame!
 Não precisaremos mais do que isso para que sigamos juntas até o fim, até a loucura. 
 Até o riso descontrolado. 
 Até o autocontrole. 
 Até o recomeço.
 Até um novo amor.

sábado, 23 de junho de 2012

Leva nos Olhos.

 E aquele amor, tão evidente nos olhos dos dois me fez, mais uma vez, refletir aquele momento.
 Me parecia ser um amor doce, contido, sem pressa, sem medo.
 E era.
 As mãos se uniam e naquele momento de dor, pude ver aquilo que Pedro sempre me disse.
 Eu e Pedro trabalhamos juntos, em uma agência publicitária, em que ele é diretor.
 Mais que meu chefe, ele é meu melhor amigo.
 Naquele doze de setembro morreu pai de Maurício, o amor de meu amigo.
 Maurício tinha o pai como seu melhor amigo, afinal ele lhe dedicara amor e compreensão durante toda a sua vida, tentando suprir (em vão) a falta da mãe.
 Naquele momento em que via Maurício sendo abraçado e amparado por Pedro, pude notar o que realmente é o amor. E pude notar que nunca amei.
 Eu, com 28 anos, me envolvi em vários relacionamentos, porém todos vazios do amor que habitava os olhos dos meus amigos, mesmo imersos em lágrimas e tristeza, sempre amor.
 Creio que quando o amor chega, ele toma conta, todo e qualquer sentimento se transforma, é sempre amor, sai pelos poros, cabelos, sorrisos...
 E invariavelmente sai pelos olhos.
 Tenho certeza que quando olhar pra alguém com o mesmo sentimento que meu amigo olha para o seu parceiro de vida, de jornada, de existência, poderei concluir que enfim aprendi a amar.

domingo, 10 de junho de 2012

Pólvora.

 Mais uma vez me recordo docemente de você.
 Uma frase. Só uma frase. Foi o necessário para me embargar a voz. Creio que vou lembrar pra sempre do nosso amor. O amor que nunca existiu pra você.
 Nos embalos de Chico Buarque li o seguinte   ‘’ Quando amamos, o mundo pode estar contra nós, que inventamos um jeito de ficar juntos.’’
 Lembra, meu ex eterno amor, o tanto que arrumei pretexto pra te amar? A cada abraço que me dava eu o transformava em ignição pra te amar cada dia mais.
 Cada dia melhor.
 Pra mim todo dia era poesia, todo dia era música, todo dia era você.
 Lembra de tudo o que te prometi?
 Esqueça. Prometo cumprir apenas uma.  Nunca te deixarei sozinha.
  E nunca se esqueça, em mim, a casa é sempre sua.

domingo, 27 de maio de 2012

Amor preciso.

 E o maior fato da vida é que todo mundo quer ser amado.
 Na verdade, creio que amor transcende o querer. 
 Ser amado é mesmo uma necessidade. 
 Até onde posso ir por um pouco de afeto? Acho que não tenho limites.
 Hoje acordei com aquela vontade de chorar enroscada na garganta.
 Acordei com falta de beijo.
 Passei a noite pensando se vale a pena fingir que somos amados ou se compensa mais a solidão do que uma mentira.
 Todo mundo quer ser amado, não tem discussão.
 E saibam, todas aquelas vezes que disse que não precisava de amor, que eu viveria sem carinho, foi a maior mentira que já professei.
 Dizia isso pra brincar de aço, pra fingir que tenho coração de lata, pra tentar aprender a não sentir. 
 E parei no mesmo lugar.
 Com o mesmo vazio no peito, que chega a fazer eco.
 Dizia isso por que ninguém nunca ouviu meus soluços compulsivos no meio da madrugada.
 Meus soluços de solidão.
 Todo mundo necessita ser amado. E não é de amor de mãe que eu falo não, amor fraternal até me sobra.
 Ou melhor, amor nunca sobra.
 Falo desse amor de fantasia, amor de carne, osso, sentimento.
 Necessito de um amor que seja um sopro de vida, um amor de aliança, de música.
 Necessito de um amor que me molhe feito a chuva, um amor de lágrimas, de poesia.
 Um amor que mude minha alma de casa.
 Um amor, na sua simples complexidade.
 Não fingirei mais que tenho coração de lata, tenho medo, vai que as lágrimas o molhe e ele enferruje? 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Liberdade inventada

 Eu corria por um campo limpo, e por mim corria o vento.
 Dançava, brincava de roda, assim como fazia na breve infância que tive.
 De vestido florido, tinha os olhos pintados de azul, sorria exteriorizando a criança de sempre.
 Logo avistava minha avó, trazendo no rosto aquela calmaria de sempre. Corria até ela, beijava sua mão e a pedia que me abençoasse.
 Por um breve momento, pensava "se essa rua fosse minha, a ladrilharia com os brilhantes dos anéis das mulheres de coração tão duro quanto a pedra que enfeita suas mãos, que por uma ostentação rouba a infância de uma criança qualquer".
 Voltava a correr e brincar, sentia cheiro de rosas, cheiro da inocência das crianças pequenas que brincavam comigo, encantavas com o verde do campo aberto.
 Fui despertada da minha linda utopia por uma lagrima salgada, que teimou em rolar meu rosto e parar nos meus lábios.
 Abri os olhos e vi a rua da minha casa, estava frio, e eu vestia as mesmas roupas cinzas e pretas de sempre.
 Mesmo escuro, olhei pro céu e pude ver que logo mais clarearia. 
 Procurei no bolso da calça jeans o meu celular e olhei as horas.
 Eram cinco e cinquenta e cinco da manhã.
 Vou parar de sonhar, não tenho mais tempo pra isso, meu ônibus está subindo a rua e às sete horas tenho aula de matemática.

domingo, 22 de abril de 2012

Desamor.

 Eu a amava de forma que não sabia explicar.
 Não podia compreender aquele sentimento que me tomava a alma e roubava os sentidos.
 Nunca havia me sentido assim, ela parecia querer consertar meu coração, restituindo cada pedaço, o fazendo novo.
 Mais depois o dilacerou.
 Meu coração intacto foi dilacerado, como se dado a uma fera, destruído tudo que havia sido refeito.
 Ela me tomou só pra ela.
 Me tomou e me esqueceu.
 Enquanto eu entrava em coma na embriaguez que seu perfume me causava sinto que ela apenas fingia me corresponder.
 Mas quando minha mente estava quase certa de que aquele amor não era pra mim ela vinha e me abraçava, levando consigo todo o meu poder de raciocinar, toda a minha vontade de não querê-la.
 E assim foi, durante muito tempo, até que caí em mim, e a desamei.
 Uma das coisas mais difíceis que fiz foi admitir que o meu amor acabou.
 Aquele amor que me tirava o sono e me dava inspiração teve fim e dessa forma se evidenciou um fato, tornando-se claro como água na minha mente.
 Muito mais difícil que dizer "eu te amo" é dizer "eu te amei".
 Cheira a tragédia, nem todo final é feliz, mas esse final, logo esse, o fim do amor que eu tanto sonhei, incrivelmente me fez bem.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Cara Wlianna,

 Espero que tenha a consciência de que sempre me encantou, desde a primeira conversa que tivemos.
 Me apaixonei pelos seus gostos, antes de me apaixonar por ti.
 Pelos seus gostos e pelos seus gestos.
 Logo veio o amor pela "morena meio amarga" que é, que bem lá no fundo é de um doce delicioso.
 Invejo aquela que beija sua boca e aqueles que sentem seu perfume.
 Tão misteriosa sempre foi, Wlianna, que cada vez mais faz crescer a vontade que tenho de te descobrir. Descobrir e invadir sua mente e ali fazer morada.
 Meus gostos são aqueles que pertence a sua imaginação e pretendo moldá-los ao seus, com todo prazer, assim como gostaria de moldar minha mão em você.
 Você não deve fazer nada pra me conquistar. Sou sua. Resta você me querer. 
 Enquanto me desejar estarei pronto para te agasalhar a alma, te abraçar no frio e secar a chuva caso ela molhe seu corpo.
 Deito em minha cama e desejo me enroscar no seu cabelo, acordar com o brilho dos seus olhos.
 Me ganhou, Nana, vai ter que me levar. Uma das poucas coisas que tenho certeza é que com você é bom qualquer lugar.


 Pelo nosso amor, aqui está o meus sentimentos em palavras.


 Beijos, Maria Eugenia.

domingo, 25 de março de 2012

Marina.

 Com o cigarro aceso entre os dedos ela queima junto as memorias de um passado que não passou.
 Ninguém habita a noite e resta apenas Marina, sentada na calçada, refletindo os sonhos que deixou de sonhar.
 Cantarola baixinho na madrugada "Marina, morena, Marina você se pintou..."
 Traga o cigarro e se forma uma nuvem de lembranças diante de seus olhos.
 Se vê menina, brinca nas águas do mar carioca. Sempre fez jus ao nome.
 Lembra da adolescência rebelde. 
 Do primeiro namorado. 
 Do primeiro cigarro.
 Marina chora ao observar o que foi feito com sua vida.
 Com os olhos embocados de lágrimas, a morena, no auge dos seus 25 anos se recosta no poste da  rua fria do Rio de Janeiro.
 São duas horas da manhã e ela enxuga com rapidez as lágrimas, evitando que borre sua maquiagem que, em ilusão, acredita que esconda os hematomas que habitam sua alma.
 Levanta da calçada e as memórias se desfazem, assim como o cigarro que virou cinza em seus lábios.
 Ajeita o cabelo e sorri de forma marota, a espera do próximo cliente, cujo o qual ela deseja que seja o ultimo da noite, que não tarda a chegar, a procura de diversão naquela sexta feira.
 Entra no carro dele e um ultimo pensamento acomete Marina: e eu só queria poder me orgulhar de mim.